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Viu? É para isso mesmo que o app é perfeito.

Parece ótimo. Ahhh, não quero não!

Subsolo

Nem tudo é escolha racional, simples e asséptica, dividida em duas ou mais opções claras e bem definidas com consequências milimetricamente mesuradas e pensadas sob a luz da razão humana em harmonia com a emoção para garantir uma existência sem sobressaltos. Seria uma chatice igualável a andar em um shopping center em época de Natal. Tem coisa mais chata e insuportável que o Natal plastificado que compramos e vivemos todos os anos? Quem aguentaria isso? Muitos, talvez. Há pessoas que não gostam de caos, principalmente o caos interno que te reduz ao que você é: um ser humano comum, limitado, consumidor pacato daquilo que a TV despeja na sua cabeça, correndo numa manada selvagem pra pagar as contas no fim do mês e no final  do ano, sonha em ir ao shopping mais próximo comprar presentes… de Natal! Muitos, sem entender sequer o seu real significado não só desta data simbólica, mas de suas próprias existências. Você se conhece profundamente? Você encara seus fantasmas iluminando seus medos ou se esconde no conforto da ignorância consentida em não conhecer a si próprio? Perceba, nem tudo é escolha racional, mas tudo é sobre nossas reais escolhas dentro dos vários processos incidentais - bons, ruins e traumáticos -  que a vida nos apresenta e se descortinam nas nossas vidas, minuto a minuto.

Costumava dizer que somos frutos de nossas escolhas, mas não é tão simplista assim; revi este ponto e na minha visão de hoje, esta afirmação não é cem por cento verdade. Em parte, ainda acredito nesta fala, devido escolhas superficiais que estão ao nosso alcance: nossa forma de se vestir, nosso corte de cabelo, nossas ideologias políticas, nossa fé em algo, o que comemos, o que fazemos e deixamos de fazer fruto de um exercício de livre escolha… mas há tanta coisa por trás na construção histórica do indivíduo, tantas nuances claras inevitáveis e abismos sombrios na alma que nos levam por caminhos nem sempre compreensíveis para a maioria das pessoas, muitas vezes, incompreensível para nós mesmos, como se agíssemos por um instinto que despreza toda a consciência humana acumulada até aquele momento. Descartamos a razão e vivemos uma emoção que tenta preencher um cômodo vazio em nós, mas uma vez preenchido este cômodo, fechamos a porta e abrimos outro cômodo, igualmente vazio, até entendermos que o que é realmente importante, não se compra em um shopping center ou se encontra no escuro, escada abaixo!  

Está tudo na nossa cabeça. Onde queremos chegar, lembranças de onde viemos,  o que nos tornamos ao longo da vida, o acúmulo das dores vivenciadas que moldaram nosso caráter e dos êxitos alcançados que nos orgulharam outrora, vergonhas insuportáveis e momentos de felicidade pela apreciação da beleza simples de um pôr do sol,  tudo isto forma uma colcha de retalhos que compõe a sua identidade, é a  sua história em desenvolvimento, é a única marca que você deixará nesta vida após ela ser tirada de você, quer você queira ou não! O que quero dizer com tudo isto que expus é que, você é apresentado a tragédia no momento em que nasce. O nascimento é uma tragédia em si. Estamos confortáveis no útero materno. Temos oxigênio, temos nutrientes, temos o nosso lugar em um mundo individual, temos uma proteção orgânica e emocional poderosa, temos vida e somos vida encapsulada, sem som, sem barulho, sem preocupação, sem consciência, e após nove meses, ou ocorre um corte cirúrgico nesta cápsula e te retiram de lá, ou você sai por uma abertura que parece não ter sido feita para que você saísse de lá… e nos dois casos,  ainda te batem para que você chore! E você chora!  É uma tragédia, bela, mas trágica. 

A outra tragédia que se segue, e esta não é vivida por todos os seres humanos porque nem todo mundo está disposto a pagar o preço ou simplesmente não alcançam este nível de experiência de vida, é a tomada de consciência: quando o indivíduo nasce para o entendimento do mundo e do que é formado este mundo, através da reflexão. Isto pode se dar em qualquer idade, mas cada vez mais, nesta sociedade obcecada por parecer jovem, comportamentos imaturos constantes eventualmente impedem o exercício da reflexão que poderia levar indivíduos a entender  algo maior. Já disse anteriormente, mas há muitos homens de 40 e tantos anos com mentalidade de 20, e me incluo neste grupo com uma diferença: Tenho consciência da finitude. Isto não muda nada, não me diferencia em nada, mas é um ponto de exclamação gigante! Muitos morrem sem ter este questionamento feito porque, viveram em bolhas sociais onde não era necessário questionar, bastava aceitar e seguir o roteiro preestabelecido para o indivíduo social desejado, parece que alguns tem partes do cérebro desligadas permanentemente. 

Nosso cérebro, que é onde armazenamos experiências, conhecimento empírico e didático, é como um gadget sofisticado: é expansível. Para expandi-lo, precisa ser devidamente alimentado, precisa estar em constante movimento de absorção daquilo que está ao redor, só que a mente é autônoma e absorve tudo, não faz distinção do conteúdo que está ao redor, então aprendemos o bem e o mal e somos bem e mal: não há indivíduo que seja todo bom, mas muitos são apenas maldade justamente pelos moldes que lhes foram impostos somado a espíritos perturbados ou mentalidades insanas. Então através deste mecanismo de absorção involuntário, temos a moldagem do indivíduo, que fará uso destes conteúdos para exercer suas escolhas incidentais sobre os aspectos morais, legais, sociais, e gostos pessoais, preferencias que se apresentam naturalmente. 

Somos apenas consciências aleatórias vagando no espaço, esbarrando uns nos outros na procura de um sentido para nossas vidas! 

Começou um filme interessante na TV, termino este texto depois! 

Jfilho

joaquimfilhoFOTOGRAFIA